O ex-senador e pré-candidato ao Governo do Tocantins pelo Partido NOVO, Ataídes Oliveira, defendeu que o altar do Santuário de Nosso Senhor do Bonfim, em Natividade, não seja utilizado para fins de propaganda política durante as celebrações religiosas.
Por Wesley Silas
A declaração foi prestada em visita ao local, onde o empresário recordou a construção da estrutura física do santuário, financiada por recursos próprios e executada por sua construtora em 2016.
“Em 2016 construímos com os nossos recursos próprios e a nossa equipe da Construtora Araguaia o Santuário Senhor do Bonfim.”
Estrutura do Santuário e apelo político
Antes da edificação da estrutura fixa, as missas campais no local eram realizadas sob tendas improvisadas. A obra atual conta com capacidade para abrigar até 100 celebrantes — entre padres, bispos e arcebispos —, além de possuir três camarins na parte inferior.
Em fala divulgada no canal do YouTube do Portal Atitude, Ataídes criticou o uso do espaço sagrado por postulantes a cargos públicos:
“Espero que este altar não venha a servir de palanque político, como já vem acontecendo. Esse altar, que nós fizemos com muito amor, carinho e dedicação, não venha a servir de palanque para políticos, principalmente para os corruptos. Tenho muita alegria de ter feito essa obra no Nosso Senhor do Bonfim para receber os milhares de romeiros e romeiras”, declarou.
Calendário Eleitoral e Romaria
A Romaria do Senhor do Bonfim se encerra no sábado (15). A data coincide com o término do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para o registro oficial de candidaturas.
Já no domingo (16), tem início o período permitido para a propaganda eleitoral no Tocantins. O calendário marca a reta final do pleito estadual, cujo primeiro turno está agendado para 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para 25 de outubro.
Fé, política e Calendário Eleitoral
A coincidência entre o ápice da Romaria do Senhor do Bonfim e o início formal da propaganda eleitoral expõe a histórica sobreposição entre o universo religioso e a disputa política no Tocantins. Ao mesmo tempo em que a infraestrutura do santuário reflete a influência do poder econômico e empresarial sobre manifestações da fé comunitária, o apelo por “não transformar o altar em palanque” carrega uma clara intenção de posicionamento ético diante do eleitorado. Trata-se de um movimento estratégico: ao criticar o uso político do espaço sagrado, o próprio discurso se insere na dinâmica pré-eleitoral, evidenciando o desafio contínuo de preservar a devoção popular frente às investidas do pragmatismo partidário regional.







