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Lar»Política»Governo do Tocantins: senadora Dorinha com identidade própria, mas com apoio do govenador Wanderlei e Vicentinho Júnior, herdeiro político de uma das famílias mais tradicionais da política tocantinense
Política

Governo do Tocantins: senadora Dorinha com identidade própria, mas com apoio do govenador Wanderlei e Vicentinho Júnior, herdeiro político de uma das famílias mais tradicionais da política tocantinense

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins3 de setembro de 2026 - 18:007 minutos de leitura
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Professora Dorinha Seabra (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB) protagonizam a disputa pelo Palácio Araguaia. Mais do que continuidade contra renovação, o embate opõe duas trajetórias políticas consolidadas: a da senadora que construiu carreira na educação e no Congresso, e a do deputado federal que carrega o sobrenome de uma das linhagens familiar mais influentes do estado. Faltando um mês para as urnas, as pesquisas apontam liderança de Dorinha no primeiro turno e empate técnico no segundo.

Por Wesley Silas, Portal Atitude


A corrida pelo governo do Tocantins, marcada para 4 de outubro, tem sete candidatos, mas se consolidou como um duelo entre dois nomes com identidades políticas próprias e enraizadas no estado. De um lado, a senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil), pedagoga com três décadas de vida pública e votação recorde ao Senado em 2022. De outro, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), empresário e herdeiro político de uma das famílias mais tradicionais do Tocantins. Ao redor deles, o vice-governador Laurez Moreira (PSD), Ataídes Oliveira (Novo), Du Pereira (DC), Witer Naves (PSOL) e Subtenente Luiz Carlos (Democrata) completam o quadro.

O cenário das pesquisas

Dorinha lidera o primeiro turno em todos os levantamentos. Na Quaest encomendada pela TV Anhanguera (21 a 24 de agosto, 804 eleitores, margem de 3 pontos), a senadora tem 37% das intenções de voto, contra 28% de Vicentinho e 7% de Laurez. O levantamento revela um eleitorado ainda volátil: apenas 51% disseram ter escolha definitiva, e 48% admitiram que podem mudar o voto até a eleição.

O mesmo desenho aparece na Paraná Pesquisas divulgada em 28 de agosto (25 a 27 de agosto, 1.504 eleitores em 70 municípios, margem de 2,6 pontos, registro TO-02900/2026, custeada pela Fieto): Dorinha com 37,3% no primeiro turno, à frente dos 35,5% de Vicentinho. No segundo turno, porém, os dois empatam tecnicamente — Vicentinho soma 44,9%, contra 44,5% da senadora, diferença dentro da margem de erro.

O empate no segundo turno se repete no Real Time Big Data (26 de agosto): Vicentinho com 41% contra 40% de Dorinha. A tendência vem de junho, quando a Paraná Pesquisas já apontava empate técnico no primeiro turno (35,9% a 33,3%) e o tucano numericamente à frente no segundo (44,1% a 42,5%). Um dado que pesa contra a candidata do União Brasil: ela concentra a maior rejeição entre os principais nomes — 31% em junho, ainda em torno de 30% em julho. Vicentinho, por outro lado, registrou a maior queda de rejeição do período.

Dorinha: a senadora que construiu identidade própria pautada na educação e conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa

O nome de Dorinha na disputa não nasceu do Palácio Araguaia — nasceu de uma trajetória que antecede o apoio do governador. Pedagoga e mestre em Educação, ela foi secretária estadual da Educação e Cultura entre 1998 e 2009, eleita deputada federal em 2010 e reeleita em 2014 e 2018, até chegar ao Senado em 2022 com votação recorde. É essa biografia, e não apenas a máquina, que sustenta seu discurso de campanha: “Não peço voto por ser mulher. Peço porque estou preparada. Quero que homens e mulheres enxerguem em mim responsabilidade, capacidade e compromisso para trabalhar pelo Tocantins”, afirmou em agenda em Araguaína, em 29 de agosto.

A senadora, que evita se posicionar na disputa presidencial, tem no apoio do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) um reforço de peso — e não a sua definição. Wanderlei, que goza de 61% de aprovação na Quaest de agosto, pediu voto à candidata em vídeo divulgado em 17 de agosto: “Temos que pensar grande, é o Tocantins em primeiro lugar. Por isso, peço o seu voto, o seu apoio para a Professora Dorinha, número 44.” Em Araguaína, ele foi além: “Eu não escolhi a senhora, o Tocantins escolheu, e eu segui junto.”

A coligação de oito partidos — União Brasil, Republicanos, PL, Podemos, Solidariedade, Progressistas, Avante e PRD — com Atos Gomes (Republicanos) como vice e quatro nomes ao Senado (Eduardo Gomes, Carlos Gaguim, Eli Borges e Ronaldo Dimas), dá à candidata o maior tempo de rádio e TV da disputa. No primeiro dia do horário eleitoral, em 28 de agosto, ela apresentou-se como defensora da gestão atual e projetou tornar-se a primeira mulher a governar o Tocantins, com foco em educação — sua área de origem.

Vicentinho: o herdeiro de uma família tradicional

Vicentinho Júnior, 41 anos, é o filho do ex-senador Vicentinho Alves, uma das lideranças mais influentes da história política do Tocantins — a família Alves é referência no estado desde os anos 1990. O próprio candidato, porém, tem carreira própria: empresário, está na Câmara dos Deputados desde 2015, cumprindo o terceiro mandato consecutivo, presidiu o Progressistas no Tocantins e a Comissão de Agricultura da Câmara em 2024. No início de 2026, trocou o PP pelo PSDB para disputar o governo.

A chapa, da coligação “Pra Cima, Tocantins” (PSDB-MDB), tem como vice Amélio Cayres (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, e Alexandre Guimarães (MDB) ao Senado. Na convenção de 5 de agosto, Vicentinho definiu o tom: “O Tocantins já se levantou e a partir de agora não sou mais apenas o Vicentinho. Ele não é mais apenas o Amélio. Agora somos governador e vice-governador desse estado.”

O candidato aposta no discurso de alternativa ao grupo no poder — no primeiro dia de propaganda eleitoral, lembrou o histórico de governadores que não cumpriram o mandato integral no estado — mas sua origem em linhagem política tradicional dá à campanha um caráter menos de “novidade” e mais de disputa entre forças estabelecidas. Em reunião com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintras), Vicentinho condicionou compromissos à análise das contas públicas: “Não vou assinar cheque sem saber saldo.”

O movimento mais revelador da campanha veio em 24 de agosto: cinco dos oito candidatos a deputado federal do PSB — partido coligado na majoritária com Laurez Moreira — anunciaram apoio ao projeto de Vicentinho, em adesão costurada em Palmas. Luana Guida, Marlete Melo, Vivi Souza, Ronaldo Lopes e Antônio Bezerra, além do presidente da União dos Suplentes de Vereadores, Rogério Lima, subiram no palanque tucano. “Cada pessoa que chega para somar traz consigo uma história, uma experiência e uma parcela da esperança de mudança que estamos ouvindo em todo o Tocantins”, reagiu Vicentinho. Amélio Cayres, a ponte institucional do projeto, completou: “A política se constrói com diálogo, respeito e união.”

Os caminhos para a vitória

Para Dorinha, a rota mais curta é liquidar a disputa no primeiro turno — cenário improvável segundo os números atuais (ela oscila entre 36% e 37%), mas não descartado se a máquina estadual e o tempo de TV da coligação de oito partidos converterem os 48% de eleitores indecisos. No segundo turno, porém, a vantagem desaparece: as duas pesquisas mais recentes mostram empate técnico, e a rejeição de cerca de 30% é o teto que ela precisa derrubar.

Para Vicentinho, o caminho obrigatório é chegar ao segundo turno — e os institutos indicam que, lá, a disputa é dentro da margem de erro, com o tucano numericamente à frente na Paraná Pesquisas (44,9% a 44,5%). A queda consistente da rejeição, o racha na base de Laurez (com o apoio do PSB) e o sobrenome que ainda abre portas no interior do estado são os ativos de uma campanha que cresceu ao longo do ano.

O eleitorado, enfim, ainda não decidiu. Se a indefinição for resolvida a favor da senadora com a trajetória mais longa, Dorinha entra na reta final confortável; se for pelo herdeiro da família Alves, o Tocantins terá uma eleição decidida no detalhe — e, muito provavelmente, no segundo turno.

Eleições 2026 Professora Dorinha Vicentinho Júnior
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