Por Wesley Silas
A Justiça Eleitoral determinou a remoção, no prazo de 24 horas, de um outdoor instalado pela Prefeitura de Gurupi que apresentava um ranking de destinação de recursos parlamentares ao município. A decisão atendeu a um pedido da coligação do candidato ao governo Vicentinho Júnior (PSDB), após o juiz Roniclay Alves de Morais identificar caráter promocional e propaganda eleitoral antecipada em favor da também candidata Professora Dorinha, fixando multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 30 mil.
A peça publicitária utilizava a identidade visual da gestão da prefeita Josi Nunes para listar os valores repassados por diversos congressistas. No topo do painel, a deputada Professora Dorinha aparecia com R$ 85 milhões em emendas enviadas entre 2021 e 2026, recebendo destaque visual em comparação aos demais nomes — valor expressivamente superior aos R$ 560,3 mil registrados para Vicentinho Júnior no mesmo levantamento. Na avaliação do magistrado, a estrutura do painel extrapolou a mera prestação de contas administrativa e assumiu viés de influência sobre o eleitorado, caracterizando a parlamentar como beneficiária direta do material.
A representação apresentada pela coligação de Vicentinho Júnior aponta que este é o segundo caso recente envolvendo publicidade em órgãos municipais com indícios de favorecimento à mesma candidatura. O episódio anterior ocorreu em Axixá, onde um painel instalado em um ginásio público também foi questionado por suposta propaganda antecipada e uso de bem público, processo no qual a apuração sobre eventual responsabilidade administrativa e eleitoral prossegue no mérito.
A proliferação de peças informativas baseadas na entrega de emendas parlamentares reflete o peso do municipalismo e da liberação de recursos como ativos centrais no discurso político regional. Quando a prestação de contas institucional se confunde com a promoção de candidaturas específicas, a disputa se desloca do debate de propostas para a judicialização. O caso sinaliza a rigidez do controle sobre o uso da máquina pública, exigindo que os postulantes ao cargo executivo fundamentem suas campanhas no equilíbrio entre a divulgação de resultados e o cumprimento estrito da legislação eleitoral.








