A SBPC/ML alerta para o crescente descuido da população em relação às doenças sexualmente transmissíveis, o que pode ser explicado pelo avanço no tratamento da AIDS. Recentemente foram divulgados dados preocupantes sobre o aumento de casos da sífilis em grande parte dos estados brasileiros.
Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2015, do Ministério da Saúde, entre 2005 e 2013, o número de grávidas com sífilis no Brasil passou de 1.863 para 21.382, um aumento de mais de 1000%. Em decorrência disso, as notificações de sífilis congênita (aquela em que a transmissão ocorre da mãe para o bebê durante a gestação) cresceram 135% no mesmo período.
Para Celso Granato, médico titulado em Patologia Clínica pela SBPC/ML e Professor Livre Docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a análise das informações sugere que as pessoas estão deixando de usar o preservativo. Ele acredita que “as pessoas ficaram mais tranquilizadas com a melhora do tratamento da AIDS e se esqueceram de outras graves doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis. Trata-se de um dado muito preocupante para a população”.
O tema é de grande repercussão e será abordado no 49º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (49º CBPC/ML), que acontece entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro, em Fortaleza.
Durante o evento, o Dr. Granato apresenta métodos atualizados para o diagnóstico da sífilis e faz uma reflexão sobre a importância da prevenção e do diagnóstico correto da doença. Ele alerta que “atualmente é mandatório que cada gestante faça a sorologia para sífilis pelo menos 2 a 3 vezes no decorrer da gestação. Isso raramente é feito e a consequência é que estão aumentando os casos de sífilis em geral, inclusive a forma congênita”.








