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Opnião

O erro das pré-campanhas que tem trocado informação por exposição

Atitude TocantinsPor Atitude Tocantins1 de junho de 2026 - 07:493 minutos de leitura
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Por Maju Cotrim

Há um fenômeno curioso acontecendo na política tocantinense. Nunca se produziu tanto conteúdo. Nunca se gravou tantos vídeos. Nunca se publicou tanta imagem de agendas, reuniões, visitas, cafés, caminhadas e encontros. E, paradoxalmente, nunca se informou tão pouco.

Parte significativa das pré-campanhas parece ter chegado à equivocada conclusão de que a comunicação política se resume a produzir vídeos para redes sociais. Como se bastasse registrar a presença do pré-candidato em um evento para que a sociedade compreendesse a relevância daquele ato. Como se a câmera substituísse a informação. Como se o algoritmo fosse mais importante que a opinião pública. Não é.

Existe uma diferença fundamental entre produzir conteúdo e produzir informação.

Enquanto o conteúdo mostra onde o pré-candidato esteve, a informação explica por que ele esteve ali, quais pautas defendeu, quais interesses representa, quais soluções propõe e quais impactos suas ações podem gerar para a população.

E é justamente nesse ponto que muitas pré-campanhas estão falhando.

Ao menosprezarem o papel do jornalismo profissional e das redações, acabam falando apenas para os já convencidos.

Produzem material para alimentar bolhas digitais, mas negligenciam o debate público mais amplo. Ignoram que a credibilidade ainda é um dos ativos mais valiosos da comunicação política.

O jornalismo não existe apenas para divulgar agendas. Sua função é contextualizar fatos, confrontar informações, apresentar diferentes perspectivas e traduzir temas complexos para a sociedade.

Quando uma campanha abandona essa relação e aposta exclusivamente na comunicação própria, corre o risco de se tornar refém da própria narrativa.

É um erro estratégico.

As redes sociais são fundamentais, mas não substituem a imprensa. Vídeos geram alcance. Informação gera reputação.

Uma caminhada rende imagens. Uma pauta bem construída gera percepção pública.

Uma postagem pode alcançar milhares de pessoas. Uma notícia relevante pode influenciar a formação de opinião de uma região inteira.

Os pré-candidatos que compreenderem isso sairão na frente. Porque eleição não se vence apenas com visualizações, curtidas ou compartilhamentos. Eleição se vence construindo confiança, autoridade e reconhecimento.

E confiança não nasce do excesso de exposição.

Nasce da capacidade de informar.

A política precisa voltar a entender que comunicação não é apenas aparecer. É explicar. É prestar contas. É dialogar. É ajudar a sociedade a compreender os fatos.

Quem trata o jornalismo apenas como um detalhe operacional da pré-campanha talvez esteja cometendo um dos maiores erros estratégicos deste ciclo eleitoral. Quem não montar um núcleo estratégico de jornalismo e apoio à imprensa para informações estratégicas importantes para a opinião pública está enxergando comunicação de forma limitada.

Enquanto alguns estão preocupados em registrar cada passo do candidato, outros estão ocupados construindo significado para cada passo dado.

E, na política, significado sempre vale mais do que imagem.

O erro das pré-campanhas
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