Entre o asfalto e o cascalho, entre a monotonia da estrada e os perigos da rodagem, a vida revela verdades que nem sempre estamos preparados para ouvir. Neste artigo de opinião, o advogado e observador das esquinas Erasmo José de Ananias Neto nos convida a uma reflexão filosófica e bem-humorada sobre os caminhos que percorremos — e os desvios que fazemos. Com uma narrativa que transita entre o poético e o popular, o autor transforma uma simples viagem de carro em uma crônica repleta de simbolismos, surpresas e, claro, um caviar que não deveria estar no cardápio do padeiro. Uma leitura que prova que, na estrada da vida, os detalhes fazem toda a diferença.
Por Erasmo José de Ananias Neto
As vezes penso, filosoficamente, pois objetivamente não consigo entender, me digam quem de caminhos entendem, pois só de caminhar sei, prestando atenção nas flores, no rio ao atravessar as pontes, por olhar a paisagem caminhando, não sei distinguir Estrada de Rodagem, diferençia pro povo os maís sabidos, os Doutô.
Devagar.
Não se apressem, devagar quem vai explicar, a estrada é asfaltada, a rodagem cascalhada.
Na estrada não tem poeira, tem meio fio, beira pra parar, encostar.
A rodagem empoeirada e nas chuvas lamaceira. As Madames não gostam de rodagiá.
Nas águas a estrada não alaga, mais fácil de derrapar.
Já a rodagem esburaca cheia de poças d’água, facinho de escorregar.
A vida assim é, tém que assuntá os detalhin antes de opinar.
Na estrada monotonia, vez ou outra um susto, o motorista acordar. Anda sem entristecer dá até pra cochilar, sem sorrir, nada o coração disparar.
Na rodagem o viajante molha sem sede nas chuvas, na seca poeira, as narinas secas de pó respirar.
A água da poça esconde a fundura, tem até peixe como no fundo do mar .
A Madame empoeira os cabelos duros de pó, perde a linha, pondo-se baforar com raiva judiando do Marido, solta a língua mal da poeira falar.
No Marido raiva nasce da falação empoeirada, de sua Esposa que tá com a língua destrambelhada, derrapa na poça de lama, o carro começa balançar.
A Madame assustada, o carro rodando pela rodagem molhada, na eminência de capotar, grita desesperada “ valei-me minha Virgem Mãe de Jesus, por seu filho me salva, que lhe prometo Mãe Santíssima, nunca mais com o Padeiro namorar”.
O Marido já quase controlando o volante, quando ouviu a confirmação, o Padeiro está saboreando meu caviar, era o que de muito desconfiava!,Zumira eu vou te enforcar!
Eu sabia, falou no pensar o Marido “ tem tempo que esse Padeiro me leva pão, e come meu Caviar, só não sei se no café, no almoço, na merenda ou no jantar”.
Querendo enforcar a Esposa, o Cabra ficou furioso, soltou o volante raivoso, o fusca pois-se a virar.
A Madame atirada para fora caiu em uma vala enlameada, conseguindo se salvar.
Se levantou olhando se alguém viu, no mesmo instante ouviu seu Marido gritar “ me acode minha Amada Zumira, que nunca mais vou do Padeiro desconfiar”.
* Erasmo José de Ananias Neto, advogado, professor, observador político de canários das esquinas e dos botecos.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Portal Atitude.








