Comitiva municipal e sindicato tentam reverter encerramento da unidade após estatal registrar 16º trimestre consecutivo de déficit e ampliação de cortes no Tocantins. Durante o encontro, a prefeita manifestou apoio imediato à causa e entrou em contato, por telefone, com a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), pedindo sua intervenção junto à direção dos Correios para reverter a medida.
Por Wesley Silas
A prefeita de Gurupi, Josi Nunes, e representantes do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Tocantins (Sintect-TO) reuniram-se nesta terça-feira, 20, para articular medidas contra o encerramento das atividades da agência local da estatal, previsto para o dia 16 de novembro. Durante o encontro, a gestão municipal entrou em contato com a senadora Dorinha Seabra (União Brasil) para solicitar intervenção junto à direção nacional da empresa. A mobilização busca reverter a decisão e garantir a continuidade do atendimento no município.

Ampliação do plano de cortes e cenário no Estado
Segundo a presidente do Sintect-TO, Ana Patrícia Fernandes Maciel, a proposta inicial previa o encerramento de 10 agências no Tocantins. No entanto, a superintendência regional ampliou o plano para a desativação de até 50 unidades. Até o momento, 8 agências já tiveram as atividades encerradas e a previsão imediata é que o número chegue a 16 unidades desativadas no estado.
A direção central dos Correios estabeleceu três critérios formais para o encerramento de agências:
- Unidades instaladas em imóveis alugados sem contrato formal;
- Unidades sem funcionários lotados;
- Imóveis com ordem de despejo ou pedido de devolução pelo proprietário.
Conforme a comitiva sindical, a agência de Gurupi não se enquadra em nenhum dos requisitos listados, o que torna a inclusão do município no plano de desativação passível de contestação.
Impacto econômico em polo regional e prejuízos operacionais
Gurupi atua como cidade polo da região Sul do Tocantins. O eventual encerramento da agência central deve gerar prejuízos diretos à economia local e regional, afetando a prestação de serviços essenciais:
- Serviços postais e logística econômica: Prejuízo ao envio de mercadorias e documentos por modalidades de custo reduzido e prazos estendidos, essenciais para o comércio local e microempresários.
- Atendimento financeiro e cidadania: Restrição ao acesso a serviços bancários básicos e ao atendimento de programas de cidadania voltados à população de menor renda.
Diante do prazo estipulado para 16 de novembro, as lideranças políticas e sindicais articulam uma audiência com a direção dos Correios, em Brasília, para apresentar os dados operacionais da unidade e solicitar a revisão da medida.
Reestruturação e crise financeira da estatal
A onda de desativações de agências ocorre em meio a uma crise financeira severa na estatal. A empresa registrou um prejuízo líquido acumulado entre R$ 5,55 bilhões e R$ 5,6 bilhões no período recente, marcando o 16º trimestre consecutivo de resultado operacional negativo. O déficit sucede o balanço do exercício de 2025, no qual a empresa contabilizou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
A política de encerramento de unidades físicas busca a redução direta de custos operacionais fixos diante do rombo nas contas. No entanto, ao desativar estruturas centrais em polos regionais como Gurupi, a medida transfere custos de logística para o setor produtivo local e reduz a oferta de serviços públicos essenciais para a população regional.
Fonte: Ascom Prefeitura de Gurupi







