Dorinha e Witer adotam abordagem técnica, Laurez demonstra experiência e capacidade de síntese, enquanto Vicentinho concentra intervenções em críticas aos adversários
Por Wesley Silas
O debate promovido pela TV Anhanguera na noite desta terça-feira, 29, começou sob tensão, com o protesto do candidato Ataídes Oliveira (Novo), que contestou sua exclusão e alegou descumprimento de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quando as perguntas entre os participantes tiveram início, outro contraste passou a marcar o encontro: o espaço dedicado às propostas e o tempo consumido pelo confronto político.
Nesta avaliação parcial, Professora Dorinha e Professor Witer Naves (PSOL) têm adotado uma postura mais técnica nas perguntas e respostas, sem recorrer a ataques pessoais ou deboches. A abordagem contribui para manter parte da discussão centrada nos problemas do Tocantins e nas ideias apresentadas para enfrentá-los.
Laurez Moreira (PSD), por sua vez, recorre à experiência política e administrativa para sustentar suas intervenções e equilibrar o debate. Ao lado de Witer, demonstra capacidade de síntese, conseguindo expor ideias com clareza mesmo no tempo limitado de cada participação.
Vicentinho Júnior segue uma estratégia mais voltada ao confronto, sobretudo com Dorinha. Até aqui, ao concentrar suas energias em desqualificar a adversária e reafirmar a própria candidatura, deixa em segundo plano a oportunidade de detalhar suas propostas e permitir uma comparação mais consistente entre os projetos de governo.
A falta de respostas diretas também pesa nessa avaliação de seu desempenho. Nos momentos relatados, Vicentinho desloca o foco das perguntas para críticas e argumentos de autoafirmação. No questionamento de Laurez sobre o direcionamento de recursos para outros estados, por exemplo, não esclarece diretamente o ponto levantado pelo adversário.
O tema poderia abrir espaço para uma discussão sobre prioridades e compromisso com o Tocantins. Sem uma resposta objetiva, permanece uma lacuna justamente em uma questão que exige explicação ao eleitor.
Até este momento, o debate apresenta estratégias distintas: Dorinha e Witer priorizam uma abordagem técnica; Laurez aposta na experiência e na objetividade; e Vicentinho concentra sua participação no embate político. Para quem parou diante da televisão esperando conhecer soluções para o estado, o excesso de ataques pode frustrar a expectativa de uma discussão mais aprofundada.
A postura de esquiva se repetiu quando o Professor Witer Naves o questionou sobre as propostas para a atenção primária descritas na página 197 de seu próprio Plano de Governo: em vez de esclarecer o projeto, Vicentinho preferiu atacar a gestão estadual e deixou a pergunta sem resposta. Ao tratar do “Prêmio Município Saudável”, Witer defendeu de forma firme que as políticas públicas na saúde devem ser equilibradas e integradas.







