Por Wesley Silas
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou desconhecer o convite feito a Ivanete Lima para disputar uma vaga ao Senado. Em entrevista à jornalista Márcia Alves, do Folha do Girassol, Kassab informou que a indicação do nome partiu exclusivamente do senador Irajá Abreu. O anúncio da pré-candidatura ocorreu em coletiva de imprensa sem a presença do presidente estadual da sigla, Laurez Moreira.
Divergência interna no partido
A ausência de Laurez Moreira, que também é pré-candidato ao governo, evidenciou o racha na liderança regional do partido. O ato político convocado por Irajá Abreu expôs a falta de alinhamento entre as esferas nacional e estadual sobre a composição da chapa majoritária.
Kassab detalhou o momento em que tomou conhecimento da indicação de Ivanete Lima. “O Irajá me ligou e me colocou na linha com a Ivanete. Ele me colocou na linha dizendo que ela estava se colocando. Eu cumprimentei e falei: ‘Olha, qualquer que seja o projeto, se você estiver incluída, boa sorte'”, afirmou o presidente nacional da sigla.
Autonomia regional e estratégia eleitoral
Apesar do gesto, Gilberto Kassab ressaltou que a Executiva Nacional do PSD não interfere diretamente na escolha de candidaturas majoritárias após o início do calendário eleitoral. “Não estou participando da decisão. A minha participação é de procurar harmonizar o partido, não é de lançar A, B ou C”, declarou.
Kassab reforçou que a liderança nacional respeita o direcionamento estratégico adotado no Tocantins. “Até o final de março, a gente participa, a gente faz mudanças, conversa. Mas aí, quando iniciou o processo eleitoral, a partir de abril, as estaduais têm autonomia em todos os estados. Em nenhum estado a gente nunca mudou. É uma diretriz que a gente tem, se não perde a credibilidade do partido”, concluiu.
Contraponto da presidência estadual
Em declaração ao Portal Atitude após o evento, Laurez Moreira afirmou que a estrutura do PSD não comporta uma segunda pré-candidatura ao Senado. A manifestação do dirigente estadual anula o movimento de Irajá Abreu e reforça o apoio da legenda a Paulo Mourão, nome indicado pela federação composta por PT e PSD para a disputa eleitoral.
Fragilidade da coesão partidária
O descompasso público entre as lideranças do PSD fragiliza a coesão partidária e interfere diretamente na estabilidade das alianças regionais. Embora a liderança nacional adote um tom diplomático de descentralização e respeito à autonomia local, a sobreposição de nomes para o mesmo cargo majoritário tensiona a relação com os partidos federados, limitando o poder de articulação da sigla e confundindo o eleitorado sobre as reais diretrizes programáticas do grupo político.








