O primeiro debate entre os candidatos ao Palácio Araguaia, realizado na terça-feira, 18, em Palmas, expôs as linhas de ataque da campanha: a Operação Overclean no confronto entre Ataídes Oliveira (Novo) e Vicentinho Júnior (PSDB), e a saúde pública como principal campo de disputa de propostas, com Vicentinho e Professora Dorinha (União Brasil) em posições opostas. O embate evidenciou a função dos debates nesta fase: dar ao eleitor elementos objetivos para comparar histórico, propostas e comportamento dos candidatos sob pressão antes de decidir o voto.
Por Wesley Silas
Os seis candidatos ao Palácio Araguaia para as eleições de 2026 se enfrentaram na noite desta terça-feira, 18, em Palmas, no primeiro debate ao governo do Tocantins, transmitido em plataformas múltiplas. O confronto reuniu Vicentinho Júnior (PSDB), Professora Dorinha (União Brasil), Laurez Moreira (PSD), Ataídes Oliveira (Novo), Professor Witer (Federação Rede/PSOL) e Du Pereira (DC). O embate mais tenso ocorreu na primeira rodada, quando Ataídes Oliveira questionou Vicentinho Júnior sobre a Operação Overclean e sua formação acadêmica.
Ataídes ataca Vicentinho sobre Overclean e formação
No sorteio da primeira rodada, Ataídes Oliveira escolheu Vicentinho Júnior como alvo. O candidato do Novo citou a operação da Polícia Federal que indiciou 25 pessoas, entre empresários e ex-agentes públicos, e que investiga, segundo reportagem do UOL, ao menos quatro deputados federais, entre eles Vicentinho. Ataídes também perguntou sobre a origem de R$ 85 milhões movimentados em conta da esposa do tucano e sobre sua formação acadêmica.
Em resposta, Vicentinho afirmou que divulgará em suas redes sociais as certidões e a decisão do ministro Cássio Nunes, do Supremo Tribunal Federal. Disse não ter condenação sobre o mandato, o CPF ou o nome, e lançou um desafio: se algum concorrente apresentar uma condenação sua, renuncia à candidatura. Na réplica, Ataídes insistiu que o adversário “está sendo investigado, ainda não condenado”, e voltou a citar a movimentação de R$ 85 milhões. Vicentinho rebateu dizendo que Ataídes “faz leitura pela metade” e que sua biografia não registra formação em engenharia civil, mas sim atuação empresarial no setor privado.
Saúde domina o confronto entre Vicentinho e Dorinha
Na sequência, Vicentinho Júnior questionou a Professora Dorinha sobre propostas concretas para a saúde do Tocantins, citando o plano de governo da candidata e a imagem de mulheres acorrentadas à porta do Hospital Geral de Palmas (HGP). Dorinha defendeu os investimentos em andamento, como o Hospital de Araguaína e a retomada do hospital de Gurupi, e anunciou concurso público na área, o primeiro em mais de dez anos.
Na réplica, Vicentinho afirmou que os problemas da saúde só aumentam e que, como governador, cuidará pessoalmente da pauta. Criticou a candidata por não mencionar que, em oito dos 13 anos de gestão do grupo que ela representa, as obras não foram concluídas. Dorinha rebateu dizendo que o atual governo fecha cinco anos de gestão e que propor levar a Secretaria de Saúde para o HGP demonstra “erro de compreensão”.
Du Pereira cobra Laurez sobre exonerações
Du Pereira (DC) questionou Laurez Moreira (PSD) sobre as exonerações feitas durante os 90 dias em que Laurez assumiu o governo, após o afastamento do governador Wanderlei Barbosa. Laurez defendeu a gestão do período, citando “90 dias sem corrupção”, plano de carga e salário para a educação e a prorrogação do concurso para convocar 3 mil aprovados. Afirmou que, em seu governo, o ingresso no serviço público se dará por concurso.
Na réplica, Du Pereira disse que famílias perderam emprego “de forma drástica” e que o Tocantins precisa de pessoas novas. Na tréplica, Laurez respondeu que os exonerados estavam “fora do módulo da sala de aula” e reafirmou o compromisso com o servidor concursado.
Witer questiona Ataídes sobre escolas de tempo integral
Professor Witer (Federação Rede/PSOL) perguntou a Ataídes como financiar a construção de 50 escolas de tempo integral previstas em seu plano de governo. Ataídes respondeu que a parte física é “coisa muito simples” e que o desafio é a valorização dos professores, citando que cerca de 60% dos docentes são contratados temporariamente. Defendeu concurso público e criticou a corrupção.
Na réplica, Witer afirmou que as 50 unidades custariam, segundo o TCU, cerca de R$ 11,4 milhões cada, totalizando mais de meio bilhão, e que o modelo por fundo de investimento imobiliário representaria dívida pública por 30 anos. Na tréplica, Ataídes disse que a economia de R$ 2,4 bilhões anuais, que atribuiu à corrupção, permitiria construir as escolas.
Dorinha responde a ofensa e pede nível no debate
Em direito de resposta, a Professora Dorinha foi enfática ao afirmar que sua condição de mulher não a impede de rejeitar falta de respeito nos debates. Disse que a crítica é bem-vinda, mas que referências desrespeitosas mostram “nível de desequilíbrio”. “Não é porque eu sou mulher que eu vou aceitar qualquer tipo de desrespeito”, declarou, pedindo respeito e nível no debate. A produção do evento informou que avaliaria um pedido de resposta de Ataídes.
Os debate permitem ao eleitor comparar
O primeiro debate expôs as linhas de ataque que devem marcar a campanha ao Palácio Araguaia. O confronto entre Ataídes e Vicentinho, centrado na Operação Overclean, tende a se repetir e a testar a capacidade de cada candidato de converter o tema em confiança do eleitor. A saúde, apontada por Vicentinho e Dorinha como prioridade, segue como o principal campo de disputa de propostas. Os debates cumprem função central nesta fase: permitem ao eleitor comparar, de forma isenta, o histórico, as propostas e o comportamento dos candidatos sob pressão, antes de decidir quem deve governar o Tocantins.







