Por Wesley Silas *
O pré-candidato ao governo do Tocantins, Vicentinho Júnior, apresentou nesta semana um conjunto de propostas voltadas para a reestruturação da saúde pública estadual. O plano de ação do parlamentar foca na descentralização dos atendimentos de média e alta complexidade, no investimento em infraestrutura hospitalar no interior e na implementação de ferramentas tecnológicas para agilizar a marcação de consultas e exames, com o objetivo de reduzir a sobrecarga de pacientes nas grandes unidades do estado.
Gargalo histórico e o ciclo de promessas eleitorais
A saturação e a falta de conclusão de obras na rede hospitalar estadual tornaram-se pautas obrigatórias e recorrentes nos debates eleitorais ao governo do Tocantins. No entanto, a reapresentação dessas propostas a cada dois ou quatro anos expõe um ciclo crônico de promessas de campanha que contrastam com a realidade de paralisações no estado.
Um dos exemplos mais emblemáticos dessa lentidão é a construção do Hospital Regional de Gurupi (HRG). Lançada originalmente em 2013 pelo então governador José Wilson Siqueira Campos, a obra de infraestrutura arrasta-se há mais de uma década entre paralisações recorrentes, readequações de projetos e novos prazos não cumpridos, perpetuando o vazio assistencial na região sul do estado.

Para contrapor o atual cenário de centralização, o plano de Vicentinho Júnior prevê a conclusão das obras dos hospitais regionais de Gurupi e Araguaína, além da construção de três novas unidades de saúde e do repasse de recursos para os Hospitais de Pequeno Porte (HPPs). O objetivo declarado é reter o fluxo de pacientes que hoje sobrecarrega o Hospital Geral de Palmas (HGP).
Implementação de telemedicina e integração municipal
O projeto do pré-candidato também prevê a modernização da gestão por meio de sistemas digitais de saúde. Entre as medidas sugeridas estão a implantação de plataformas de telemedicina e a criação de um sistema unificado para a marcação digital de consultas e exames especializados.
Para viabilizar a triagem e o atendimento primário, a proposta de governo sugere uma cooperação técnica e financeira mais estreita entre o Executivo estadual e as administrações municipais. O objetivo é garantir que os casos de menor complexidade recebam assistência médica na própria localidade de origem do paciente, atenuando o fluxo de transferências interestaduais e intermunicipais.
Viabilidade de cumprimento das metas ressurgem em ano eleitoral
A descentralização da saúde no Tocantins atende a um gargalo estrutural histórico que penaliza diretamente as populações mais distantes da capital, submetidas a longas viagens para obter assistência básica de média complexidade. Contudo, a constante reaparição de pautas como a conclusão de Gurupi e Araguaína em períodos pré-eleitorais acende um alerta sobre a real viabilidade de cumprimento dessas metas.
Sem um planejamento fiscal de médio prazo robusto e desvinculado dos interesses imediatos de palanque, o interior do Tocantins corre o risco de continuar dependente de promessas de papel, enquanto a população local segue desassistida de leitos e especialistas essenciais.
*Com informações da assessoria de Vicentinho








