Candidato ao Governo do Tocantins interrompeu a agenda eleitoral para cumprir romaria de cerca de 180 km, entre Porto Nacional e o povoado do Bonfim, em um gesto que associa devoção religiosa ao projeto político.
Por Wesley Silas
O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), candidato ao Governo do Tocantins pela coligação “Pra Cima Tocantins”, ultrapassou os 100 quilômetros percorridos no quarto dia da caminhada ao Santuário do Senhor do Bonfim. A romaria, iniciada em Porto Nacional, deve se estender por aproximadamente 180 quilômetros até o povoado do Bonfim. O candidato suspendeu temporariamente os compromissos de campanha para cumprir o trajeto, previsto para terminar antes do feriado estadual de 15 de agosto.
Fé como elemento da narrativa de campanha
A caminhada ocorre em um momento estratégico do calendário eleitoral. Com a proximidade do Dia do Senhor do Bonfim, celebrado em 15 de agosto, candidatos ao governo intensificam a presença na romaria para se aproximar do eleitorado religioso. No caso de Vicentinho, a peregrinação não é episódica: ele se apresenta como romeiro do Senhor do Bonfim há 25 anos, o que confere à devoção um caráter de continuidade que a campanha busca projetar.
O esforço físico é parte da mensagem. Entre trechos de estrada no interior do estado, o candidato relata que o cansaço e os calos acumulados reforçam a dimensão espiritual do percurso. “Depois de mais de 100 quilômetros, o corpo sente. Os pés estão com calos, vem o cansaço, mas tudo isso faz parte da caminhada. É nesse momento que a gente busca ainda mais força na fé, agradece, pensa na família, nas pessoas que encontramos e converso muito com Deus”, afirmou.
A estrada como palco político
A escolha do percurso e a exposição pública durante a romaria transformam a caminhada em um instrumento de aproximação com o eleitorado católico do estado. As paradas, os encontros com moradores e as manifestações de fé ao longo do trajeto são registradas e divulgadas pela assessoria, ampliando o alcance do gesto para além do aspecto religioso.
Com o Bonfim cada vez mais próximo, a estrada passa a representar mais do que a distância percorrida. O corpo sente o peso dos quilômetros, enquanto a fé renova as forças para seguir — uma construção simbólica que associa sacrifício pessoal à disposição para governar.
A peregrinação de Vicentinho ilustra uma transformação histórica na relação entre religião e política no Brasil. O catolicismo deixou de ser a religião oficial do Estado; porém, a influência das igrejas deixou de ser institucional e passou a se exercer por outros caminhos — pela cultura, pela educação e, crescentemente, pela política eleitoral. Nesse cenário, a romaria funciona como um canal legítimo de conexão com o eleitorado religioso, mas também expõe os limites dessa aproximação. Há ainda o custo social do sectarismo: a narrativa de um “voto cristão” único, com candidato “abençoado”. No Tocantins, onde a fé é parte da identidade regional, o desafio dos candidatos é distinguir a devoção autêntica — que forma consciências — do uso eleitoral da religiosidade, que as substitui.
Com informações da Ascom do candidato Vicentinho Júnior.










