Decisão ocorre após TRE-TO suspender levantamento do Instituto Seta por irregularidades; três pesquisas divulgadas em uma semana apontam cenários contraditórios entre Dorinha e Vicentinho Júnior. O portal esclarece que não divulgou nenhuma pesquisa neste segundo turno das eleições estaduais. No primeiro turno, um levantamento publicado pelo Portal Atitude no dia 18 de setembro somou pelo menos 19 pesquisas com problemas, suspensões ou questionamentos na Justiça.
Por Wesley Silas
O Portal Atitude resolveu, nesta semana, a filtragem da divulgação de pesquisas eleitorais sobre o segundo turno da eleição estadual no Tocantins. A decisão foi tomada após o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) suspender um levantamento do Instituto Seta que apontava vantagem do candidato Vicentinho Júnior (PSDB), por identificar graves irregularidades no financiamento e na realização da pesquisa. A medida busca proteger o eleitor de informações contraditórias e de dados sem respaldo jurídico, a menos de duas semanas da votação, marcada para 25 de outubro.
Três pesquisas, três cenários diferentes
Em menos de dez dias, três institutos divulgaram levantamentos com resultados distintos para a disputa pelo Governo do Tocantins.
A primeira, realizada pelo instituto Directa Pesquisas, a pedido da empresa Trilhas do Cerrado Produções e Publicidades Ltda., apontou a candidata Professora Dorinha (União Brasil) na liderança, com 52,8% dos votos válidos — vantagem de 5,6 pontos percentuais sobre Vicentinho Júnior. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores em 34 municípios entre os dias 6 e 9 de outubro, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TRE-TO sob o código TO-03128/2026.
A segunda, do Instituto Seta, divulgada em 14 de outubro, colocava Vicentinho à frente da candidata na intenção de voto espontânea, estimulada e na expectativa de vitória. O levantamento, realizado entre 8 e 10 de outubro, estava registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número TO-00439/2026 — e foi justamente esse o objeto da suspensão judicial.
O que levou o TRE-TO a suspender a pesquisa Seta
A Justiça Eleitoral identificou inconsistências no financiamento do levantamento. O instituto declarou apenas R$ 15 em recursos próprios para a pesquisa, embora tenha registrado mais de R$ 500 mil em levantamentos autofinanciados em 2026 — valor incompatível com o lucro líquido de R$ 149 mil informado no exercício anterior.
A magistrada também constatou a omissão dos nomes dos bairros pesquisados, substituídos por códigos do IBGE em 63 setores censitários, o que comprometeu a transparência e a possibilidade de fiscalização dos dados. A decisão determinou a retirada das publicações da pesquisa e fixou multa que pode chegar a R$ 200 mil.
Quaest aponta Vicentinho à frente
O terceiro levantamento, encomendado pela TV Anhanguera e realizado pela Quaest, divulgado também em 14 de outubro, apontou Vicentinho Júnior com 49% das intenções de voto, contra 42% de Professora Dorinha — diferença de sete pontos percentuais. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número TO-03829/2026 e foi o primeiro levantamento do instituto após a definição do segundo turno.
O custo da desconfiança
A sequência de resultados contraditórios — uma pesquisa dando vantagem a Dorinha, outra suspensa por irregularidades dando vantagem a Vicentinho e uma terceira confirmando a liderança de Vicentinho — impõe um custo real ao processo eleitoral. Quando um levantamento é anulado por falhas de financiamento e de metodologia, a desconfiança não se limita ao instituto responsável: contamina a percepção sobre todas as pesquisas, inclusive as regularmente registradas. Para o eleitor, o efeito prático é a perda de um dos poucos instrumentos objetivos de leitura da disputa. Para os candidatos, o cenário alimenta disputas narrativas em que cada lado escolhe o número que lhe convém.
Nesse contexto, a decisão do Portal Atitude de filtrar a divulgação de pesquisas no segundo turno reflete uma preocupação que vai além do caso Seta: em eleições decididas por margens estreitas, a qualidade da informação divulgada é parte da própria disputa.








