O candidato havia prometido usar as prerrogativas do seu mandato e disse que Verônica ia “entender como o jogo funciona”
Por Redação
O MPF (Ministério Público Federal) arquivou a denúncia de perseguição (stalking) movida pelo deputado federal e candidato a governador, Vicentinho Júnior (PSDB), contra a jornalista Verônica Veríssimo Bolsan. A investigação foi oficialmente encerrada após o parlamentar ter ameaçado processar a profissional por tê-lo fotografado em Brasília com o vereador Vinícius Pires (Republicanos), opositor ferrenho do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos) e de sua gestão municipal.
Responsável pela peça de arquivamento, o procurador Leonardo de faria Galiano argumentou que o delito de perseguição, previsto no art. 147-A do Código Penal, exige necessariamente a reiteração da conduta, o que não ficou caracterizado pela realização de apenas um registro fotográfico.
O procurador destacou, ainda, que o deputado é um agente político e foi captado saindo de um estabelecimento comercial, um local acessível ao público. Nessas circunstâncias, a expectativa de privacidade é menor, devendo prevalecer as garantias constitucionais de liberdade de expressão e de informação atreladas ao exercício do jornalismo. “O que se reconhece é que, em ambiente público ou acessível ao público, e diante de circunstâncias relacionadas à atuação de agente político, a expectativa de privacidade quanto à sua mera presença e circulação é distinta daquela existente em ambiente privado e reservado”, frisou.
Escalada com ameaças
A denúncia no MPF fez parte de uma escalada de tensões que ganhou grande repercussão após o vazamento de uma ligação telefônica, na qual o deputado demonstrava indignação com a imagem e acusava a jornalista de fazer “arapongagem” a serviço do prefeito Eduardo Siqueira. No áudio, o parlamentar prometeu acionar a repórter nas esferas cível e criminal, sugeriu o uso das prerrogativas de seu mandato e a ameaçou declarando que ela iria “entender como o jogo funciona”. A profissional negou qualquer monitoramento ilícito e defendeu a natureza informativa de seu trabalho.
A fotografia, foco de toda a controvérsia, ilustrou uma matéria jornalística em 17 de junho de 2026 sobre as tratativas políticas e gestões do vereador de oposição junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) a respeito das UPAs de Palmas. Para o MPF, a captação e posterior divulgação jornalística não configuraram intenção persecutória e não apresentaram potencial para ameaçar a integridade física ou psicológica do comunicante. Diante da ausência de justa causa e elementos constitutivos de crime, o procedimento foi definitivamente arquivado.







